quarta-feira, 16 de novembro de 2022

IDIOCRACIA EM SÉRIE, COMO UMA DEMOCRACIA MORRE

 

Antônio Adônnis Sátiro de Souza[1]

 

Eu já disse e repito: bolsonarismo mata! Fanatismo mata, tudo o que mexe com o estado cognitivo do homem, se não for tratado mata, depressão mata, a alienação mata, ódio mata! 

Aquele homem criou uma seita no Brasil que ficou maior do que ele, e agora nem ele conseguirá mais controlar. Bolsonaro criou um bando de delinquentes e estava consciente quando os criou. Estava consciente quando incitou o ódio a tantas pessoas falando que “as minorias devem se curvar às maiorias”, e estava consciente quando disse que iriam "metralhar a petralhada" e tinha consciência quando disse que votou contra todos os direitos trabalhistas de empregada doméstica. Ou seja, os seus seguidores, sabem exatamente contra quem e contra o quê estão lutando! Cada um do seu jeito, mas sabem.

Estas pessoas não respeitam a democracia e querem viver em uma espécie de “anarquia sob demanda”, ou “anomia política” e dizem claramente aos quatro ventos que querem viver sob uma ditadura imposta por eles mesmos, tal qual a que vivemos em 1964. E assim morre a cada dia um pouco da nossa democracia. Gritam por democracia no mesmo suspiro que pedem "intervenção militar", e  quando há a força necessária para contenção de atos violentos gritam por liberdade! Eles não sabem o que pedem, e já ficou claro que eles querem baderna, balbúrdia, típica de pessoas alienadas que não sabem quais ideais pretendem defender, porque simplesmente não os tem! 

Eles querem impor a sua única vontade acima de tudo, e em especial acima de todos os que tiveram pontos de vistas diferentes dos seus! E dizem que isso é em nome de Deus.

Já parou para imaginar porque não tem pessoas por aí, com seus carros adesivados com o nome do presidente eleito?  Já observou que o que mais tem são caminhonete plotadas por ai, com a cara do "padrinho do seu ódio"?

Eu não acho que seja normal, uma adoração tão vil e tão nefasta a um ser humano. Pelo menos com o meu conhecimento de bíblia garanto que não é aceito por nenhuma religião cristã o que está sendo feito. E ainda ousam falar de um lema de “Deus, Pátria, Família”, isso não é sobre Deus, porque esse deus não é o de Israel, essa Pátria não é o Brasil e essa família não é a de todos.

Eu não acho que pessoas que dizem acreditar em um Deus de amor, se coloquem neste papel de sanguinários da justiça, odiadores da lei, e amantes da barbárie!

O que estes bolsonaristas estão fazendo na porta dos quarteis em várias cidades espalhadas pelo Brasil é bárbaro, é nojento, é visceral, é criminoso, é repugnante é vilipendioso!

Não aceitar o resultado de uma eleição é compreensível, protestar também, mas isso já passou de todos os limites, e as nossas polícias estão baixando a cabeça para isso!

Será que estão concordando ou negligenciando seus papeis como forças de segurança?

Quando professores fizeram manifestos, foram arrancados à pontapés, balas de borracha, sprays de pimenta, bombas de efeito moral e com tropas de choque como vimos em um passado não tão distante, porque reivindicaram salário!!!

Estes atos que beiram o terrorismo e que podemos claramente chamar de "atos fascistas", maniqueístas, antidemocráticos, criminosos são assistidos pelo nosso exército, das janelas de seus postos de trabalho. O que está havendo com este país?

Se a nossa justiça não intervir logo, com duras penas para esses criminosos, transgressores, adoradores do ódio, do caos e da barbárie, poderá chegar um momento que tanto tememos, que o outro lado se canse dessa violência gratuita comece a revidar à mesma altura dos ataques que veem sofrendo! Que Deus nos livre de isso ocorrer, pois pode ser que não tenhamos mais condição de controlar tanta gente se matando em nome de um estado de natureza primitivo e odioso, como na idade das trevas.

Essa idiocracia precisa parar, em nome de tudo o que o nosso país conquistou até aqui, ou seremos jogados de volta no fosso do caos e ódio humano.



[1]  Mestrando em Tecnologias Emergentes em Educação, Must University, Flórida, EUA. Graduado em Ciências Sociais pelo Centro Universitário ETEP/SP. Graduado em Filosofia e Pedagogia pela Universidade Metropolitana de Santos/SP.  Professor Universitário. Lattes: http://lattes.cnpq.br/3701750444824795 - Orcid: https://orcid.org/0000-0001-7147-8093. E-mail: esp.satiro@gmail.com.

 

terça-feira, 19 de julho de 2022

CARTA ABERTA: COMO UM POVO PERDE A DEMOCRACIA CONQUISTADA

Antônio Adônnis Sátiro de Souza[1]

[1] Mestre em Tecnologias Emergentes em Educação, Must University, Flórida, EUA. Graduado em Ciências Sociais pelo Centro Universitário ETEP/SP. Graduado em Filosofia e Pedagogia pela Universidade Metropolitana de Santos/SP.  Professor Universitário. Lattes: http://lattes.cnpq.br/0200717083383781 - Orcid: https://orcid.org/0000-0001-7147-8093. E-mail: esp.satiro@gmail.com.

RESUMO

Este ensaio objetiva fomentar o senso crítico político com base nos fatos desta última semana, com base no fato que um tesoureiro do PT  (Partido dos Trabalhadores), foi assassinado por um cidadão que defende uma posição política contrária e faz questão de declarar isso no momento que comete o delito. A ideia é que este texto, de cunho informativo, e de proposituras faça com que o leitor pense no seu posicionamento político e compreenda qual o real cenário que o Brasil se encontra, além de fazer um contraponto a respeito do país que atualmente somos, com o que fomos quando instaurou-se a Era Vargas que perdurou de 1930 a 1945, época em que o então opositor ao candidato Júlio Prestes, Getúlio Vargas perdeu as eleições diretas e mesmo assim, com o apoio das forças armadas instaurou o golpe militar no país e não permitiu que Prestes fosse empossado. É um ensaio que pretende levar o leitor a refletir os sinais políticos que ora vem recebendo e auxiliá-lo a se posicionar no cenário político e atual que o país emerge.

Palavras-chave: Ameaça à democracia. Crime político. Golpe de Estado. Getúlio Vargas. Eleições.


1       Comentários acerca dos acontecimentos políticos recentes: normalidade ou atrocidade?

O presidente da República Jair Bolsonaro faz afirmações que não são falácias quando diz que o está em jogo é o futuro do Brasil. Porém ao  comentar o assassinato de um líder do Partido dos Trabalhadores (PT) em Foz do Iguaçu, no Paraná, por um apoiador de sua campanha ele disse que "uma andorinha não faz verão, mas o verão começa por uma andorinha".  Agora direciono a cada um de vocês que leem isso: Que recado um indivíduo que usa essa paráfrase  quer dar a partir desta afirmação?

Isso aconteceu na quinta-feira dia 7/7/2022  em sua live semanal no Youtube, o presidente disse que não quer um novo Capitólio no Brasil, se referindo à invasão que houve nos EUA, quando os apoiadores do Trump, souberam da sua derrota e em janeiro deste ano invadiram o Capitólio que corresponde ao Congresso Brasileiro.

O Presidente falou com as seguintes palavras: "não precisa aqui dizer o que estou pensando, o que você está pensando, você sabe o que está em jogo, você sabe como você deve se preparar, não para um ‘novo Capitólio’, ninguém quer... invadir nada, mas para... nós sabemos o que temos que fazer antes das eleições".

Isso me soa como uma clara ameaça de golpe de Estado! Se comparar esta afirmação com todas as demais que o presidente vem falando com relação ao STF nos últimos anos, é algo que precisa ser analisado com cautela.

Segundo o presidente, ainda na live  de 7/7/2022, ele fará uma apresentação para os chefes de embaixadas estrangeiras no Brasil sobre o tema, e apresentará num Power Point "tudo o que aconteceu nas eleições de 2014 e 2018 documentado, bem como essas participações dos três ministros do TSE que são do Supremo" - que a meu ver serão informações soltas, acusações infundadas, conspiratórias e mentirosas como é de seu feitio.

Quero refrescar a memória de quem ainda não acompanhou a história desse país: Em 1929 finalizava o governo de Washington Luís, e estava na disputa para novo pleito a partir de 1930, Getúlio Vargas e Júlio Prestes. Este último foi eleito com a maioria dos votos válidos (59,39%) mas não empossou. Este foi o  primeiro e único político até então, eleito presidente da República do Brasil pelo voto popular a ser impedido de tomar posse. Os militares articulados por Getúlio Vargas, que ficou com os outros 40% dos votos, tomaram o poder e uma junta provisória ficou governando por dez dias até que Getúlio chegasse no  Palácio do Catete para assumir, e depois já sabemos o que aconteceu.

A história está caminhando para se repetir, pois a cada pronunciamento aberto do atual presidente e a cada participação em eventos públicos ele reforça essa ideia de poder, poder, poder, os discursos de ódio contra o oponente, as vociferações às minorias não é segredo, pois estão documentados na internet, muitos deles com vídeos. Um caso mais recente  (julgado em de agressão a uma jornalista ocorrido em fevereiro de 2020, lhe rendeu uma condenação histórica  a um presidente, a pagar indenização por danos morais em São Paulo, por entendimento de declaração misógina e machista contra uma jornalista[1].

Pergunto, é normal um presidente no exercício do seu cargo direcionar ofensa a um jornalista enquanto trabalha?

Do outro lado do país, ocorre o último crime que considero político do Brasil recente, neste domingo dia 11/7/2022.  Um homem armado, chamado Jorge José da Rocha Guaranho, (armamento é uma espécie de carro-chefe defendido pelo presidente desde a sua campanha política), - entrou em uma festa particular para matar!  

Ele, o rapaz que já está preso, entrou no salão gritando “aqui é Bolsonaro” em uma festa cuja temática era o atual ex-presidente Lula, do PT.  Guaranho entrou, gritou e atirou para matar, em José Arruda, tesoureiro do Partido dos Trabalhadores em Foz do Iguaçu. Foi um eleitor que agiu de forma política extremista, mas o comportamento dele, não pode vir a ser o comportamento de muitos outros?

Ao que se vê, pelo que defende o líder, não é bem o que ocorreu, ainda que no sentido figurado na campanha de 2018, o presidente  afirmou em um palanque: “Vamo fuzilar a petralhada aqui do Acre!”. Existem vídeos comprovando isso na internet, nesta data em específico fez sinal de arma com o tripé de uma câmera ao invés da mão como faz sempre.

Aqui podemos compreender do ponto de vista sociológico, o que é o Paradigma da Tolerância em Karl Popper. É o momento em que definimos quando um grupo de pessoas, ou um partido se torna extremista ao ponto de não ser mais tolerado em uma sociedade democrático.

Analisando Karl Popper (filósofo inglês falecido em 1994), em sua obra “A Sociedade Aberta e os Seus Inimigos”, Popper identifica e crítica de forma extenuante as os pensamentos filosóficos que deram origem, na opinião dele, aos movimentos totalitários do século XX, movimentos. Podemos listar alguns pontos que determinam se o comportamento de um grupo é totalitarista ou não.

O primeiro deles é o "comportamento irracional", em que não importa o que você diga, não será respondido, só se ouve gritos, truculência e ameaça. Nada é discutido, ou levado em consideração. O senso comum é a base de sua sustentação. Posso apontar o anticientificismo do governo, a negação de dados oficiais do país, informados por órgãos que construíram décadas de trabalho sério e de reputação ilibada, pautados na ciência e na pesquisa. Cito a negligência com o Instituto Butantan, quando logo no início da pandemia o presidente se recusou a negociar a produção das vacinas, que ao contrário do que defendia, são eficazes contra a COVID-19, e os números da pandemia refletem isso. Em julho de 2019, acusou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), de mentir sobre dados de desmatamento e de estar “agindo a serviço de uma ONG” de maneira leviana e sem provas.

A segunda característica apontada por Popper é a “tendência do isolamento dos seguidores”, colocando-os em uma bolha, impede que seus apoiadores ouçam os contra-argumentos dos opositores, além da tentativa de trabalhar incansavelmente para que os contra-argumentos apresentados sejam ignorados. Há ainda a prática de distorcer, mentir, deturpar para evitar que o outro lado consiga dizer aquilo que de fato precisa. Nos dias atuais a desinformação tem sido propagada por meio de edição de vídeos, fotos e áudios.

A tentativa de banalizar, desqualificar os fatos tem sido muito grande. Estes últimos pontos apontados por Popper, podem ser características muito marcantes, no Brasil são vistas mensagens mentirosas e infundadas em grupos e redes sociais; e por fim, a terceira característica que é a “violência”.

Os grupos organizados estão prontos a partir para a violência física e o assassínio, é vista a truculência e os palavrões, de forma recorrente, o que nos faz entender que se isso continuar até as eleições que se aproximam, a tendência é não aceitar o contraditório, não permitir que haja oponência, e se, em grande escala, acontecer, - haja extermínio de opositores, - e o resultado disso, é o fim da democracia, da mesma forma que aconteceu em 1930 com o golpe de Getúlio Vargas. Um pouco mais para frente houve outro golpe militar e o avanço para a tortura e para  atos institucionais como AI-5 já defendidos, por membro da família Bolsonaro, (inclusive o próprio presidente participou de um evento em 20 de abril de 2020, cujos atos antidemocráticos geraram pauta de investigação e inquéritos no STF)[2].

Por que eu estou assustado com isso tudo? Porque a cúpula do governo tem recebido estes e outros acontecimentos de forma assustadoramente normal. Observe o que o vice-presidente da República Hamilton Mourão respondeu a respeito do episódio do assassinato em Foz do Iguaçu desta semana. Ele diz que

“Não é preocupante. Não queira fazer exploração política disso daí. Vou repetir o que eu estou dizendo, e nós vamos fechar esse caixão. Para mim é um evento desses lamentáveis que ocorrem todo final de semana nas nossas cidades, de gente que briga e termina indo para o caminho de um matar o outro". (Hamilton Mourão, publicado em ‘O Estado de Minas’, 11/7/2022 10:13)

Ainda na escalada do estarrecimento, o líder do governo na câmara, o Deputado Federal Ricardo Barros, fez uma declaração um tanto quanto simplista. Para ele,

“agressões podem ocorrer ‘eventualmente’ durante o período eleitoral, como ocorrem em estádios de futebol ou em brigas de trânsito, mas não são um elemento ‘sistêmico do processo político brasileiro’ ”. (BARROS, Ricardo, publicado em JP News, 11/7/2022).

Me pergunto onde se é normalizado, encontrar alguém que adentra a uma festa particular, grita que é apoiador de um candidato A, e atira em outro indivíduo, que apoia o candidato B, aos berros como se fosse um mantra de que apoia A ou B. Estes episódios não se assemelham nem de longe movimentos por democracia.

Feitas estas proposituras, diante das explanações acima, finalizo meu relato perguntando: Consegui lhe fazer pensar? Consegue imaginar como estão se formando grupos com características e comportamentos extremos com atos antidemocráticos, anticristãos, fundados a partir de ideologias contrárias àquilo que o bom senso e os ideias racionais, democráticos e positivistas defendem desde o início da história da república deste país? Estes comportamentos se assemelham aos grupos ideológicos extremistas da Europa e Oriente Médio que tendem a crescer exponencialmente se não houver uma conscientização dos ideólogos da paz e da democracia.

É apenas isso que eu queria que você se respondesse, quando chegasse aqui, o resto é com você. Você vai ficar esperando arrancarem as flores do seu jardim vagarosamente até que um dia lhe roubem a sua casa, matem seu cachorro e lhe tirem a sua fala?

É isso.

 Referências

Academia Brasileira de Ciências. Diretor do INPE nega acusações, reafirma dados sobre desmatamento e diz que não deixará cargo. Publicado em: 21 de julho  de 2019. Disponível em: <https://www.abc.org.br/2019/07/21/diretor-do-inpe-nega-acusacoes-de-bolsonaro-reafirma-dados-sobre-desmatamento-e-diz-que-nao-deixara-cargo/>. Recuperado em: 12 jul. 2022.

CRUZ, Valdo. Negligência do governo Bolsonaro com vacina do Butantan foi maior do que com a Pfizer. Publicado em: 27/05/2021 13h05. Disponível em: <https://g1.globo.com/politica/blog/valdo-cruz/post/2021/05/27/negligencia-do-governo-bolsonaro-com-vacina-do-butantan-foi-maior-do-que-com-a-pfizer-diz-calheiros.ghtml>. Acesso em: 12 jul. 2022.

Estado de Minas. Seção: Política. Mourão diz que assassinato de petista em Foz do Iguaçu 'não é preocupante'. Disponível em: <https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2022/07/11/interna_politica,1379326/mourao-diz-que-assassinato-de-petista-em-foz-do-iguacu-nao-e-preocupante.shtml> Recuperado em: 12 jul. 2022.

OLIVEIRA, Joana. EL PAÍS. Governo Bolsonaro enfraquece o INPE e retira do órgão divulgação sobre dados de queimadas. Disponível em: <https://brasil.elpais.com/brasil/2021-07-13/governo-bolsonaro-enfraquece-o-inpe-e-retira-do-orgao-divulgacao-sobre-dados-de-queimadas.html#?prm=copy_link>. Publicado em 11 de julho de 2021, 18:21, São Paulo. Acesso em: 12 jul. 2022.

JP. Jovem Pan News. Após morte de petista em Foz do Iguaçu, líder do governo diz não acreditar em escalada da violência. Disponível em: < https://jovempan.com.br/programas/jornal-da-manha/apos-morte-de-petista-em-foz-do-iguacu-lider-do-governo-diz-nao-acreditar-em-escalada-da-violencia.html>. Recuperado em: 12 jul. 202


[1] https://www.cnnbrasil.com.br/politica/tj-sp-mantem-condenacao-a-bolsonaro-por-danos-morais-contra-reporter-e-eleva-indenizacao/

[2] https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/bolsonaro-discursa-em-protesto-que-defende-ai-5-e-mais-da-manha-de-20-de-abril/

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

TECNOLOGIAS EMERGENTES NO ENSINO: POSSIBILIDADES DO USO DE FERRAMENTAS MÓVEIS EM SALA DE AULA

 

Crédito da Imagem: Canva
Quem diria que em tão pouco tempo a educação pudesse romper as fronteiras da sala de aula e ganhar o mundo? Pouco tempo se comparado com alguns avanços da tecnologia no sentido de desenvolvimento de medicamentos, robôs, espaçonaves etc., porém nas décadas de 1960 e 1970 quando a internet foi criada, nos Estados Unidos, com foco exclusivo para atividades militares, não se pensava que logo fosse alcançar a comunidade acadêmica.

O uso destas tecnologias em sala de aula e as suas possibilidades têm sido cada vez mais surpreendentes e o exemplo disso é ver que algumas escolas no Brasil e no mundo já abandonaram os cadernos para a aderirem aos tablets e smartphones!  Não há como impedir que os avanços tecnológicos desta natureza aconteçam, pois da mesma forma que ferramentas de compartilhamento como OneDrive, Google Drive, Megadrive, Dropbox, etc. também estão aí para garantir que todos tenham acesso simultâneo às mesmas informações, as salas de aula têm se invertido e o espaço do aluno tem ganhado cada vez mais a sala de aula, o que resulta em aprendizado ágil, rápido e eficiente. Parece que o encurtamento do tempo é a palavra de ordem quando se contrapõe a tecnologia.

A escola está se transformando

Agência Brasil. Alunos de escola no interior do Amazonas têm sala com acesso à internet
 (Foto: Divulgação / Amazonas Atual Jornal)


As ferramentas utilizadas em sala de aula possibilitaram inúmeras formas de aprendizado, seja em tempo real com pesquisas super atualizadas através de bibliotecas virtuais pelos aplicativos específicos ou até mesmo de acervos disponibilizados pela própria instituição, seja na modalidade síncrona de comunicação com o uso de bate-papos, chat pelos aplicativos para celulares ou assíncrona em formato de fóruns de discussão, blogs, e-mails etc.

 O padrão de sala de aula que conhecemos no passado deu espaço a uma nova forma de aprender e de ensinar, o ensino colaborativo no qual são valorizados o espaço e a  criatividade do estudante está tomando conta do universo do aprender a aprender, pois o que antes demandava um grande tempo de deslocamento seja para a sala de aula ou à biblioteca para a pesquisa em livros e enciclopédias, que muitas vezes já estavam obsoletos em suas informações por conta da conhecida logística de produção de um livro impresso, já não é mais um empecilho para aprender, pois a supervelocidade que a internet proporciona resolveu esse “problema”, e os softwares de leitura e escrita simultânea, como audiobook ou WriteMonkey, por exemplo vieram trazer benefícios inclusive para estudantes com algum tipo de deficiência ou incapacidade.


Um pouco de História

No ano de 2008 quando ainda cursava a graduação, recordo-me que sem saber praticamos algo inusitado para o auxílio no nosso aprendizado. Era algo que nem imaginávamos que anos depois poderia ser chamado de “novas tecnologias de aprendizagem”: usávamos um método pouco usual para a época, e consistia em pedir autorização para o professor, para nos deixar gravar os áudios de sua aula, de modo que facilitasse o nosso estudo e revisão em outro momento. Era incrível como estes áudios mesmo com péssima qualidade por causa das características acústicas da sala de aula e da tecnologia precária utilizada trazia tantos resultados de aprendizagem. Este artifício perdurou por toda a minha graduação.

Estas gravações eram armazenadas em nuvem quase instantaneamente e toda a turma tinha acesso através de um login e senha compartilhados através dos grupos de discussão de e-mails que eram utilizados à época, pois ainda não tínhamos acesso a ferramentas como Telegram ou WhatsApp.


Acesso amplo e irrestrito às tecnologias educacionais emergentes

A exemplo do case contado acima, hoje já vemos outras tantas possibilidades de uso de ferramentas educacionais, pois os alunos não mais copiam da lousa, ou fazem anotações em cadernos. Alunos já não usam caderno em sala de aula, pois preferem fazer uma foto ou vídeo do conteúdo que é ministrado para revisarem em momento oportuno. É possível fazer “audioanotações” do conteúdo da aula, para ouvir depois, além das transmissões síncronas e assíncronas de todos os conteúdos, o que tem se tornado cada vez mais comum.

O professor não precisa mais estar do lado do aluno, para ajudá-lo a aprender, basta dar o direcionamento, pois migrar especificamente do ensino para a aprendizagem requer grande esforço por parte de todos.

Estudar no conforto de casa, do trabalho, no transporte público, no escritório enquanto atende clientes, possibilita ao estudante o acesso à educação de maneira irrestrita e o professor como agente deste novo tempo, precisa se adaptar para que este aprendizado aconteça de forma completa e irrestrita, pois as tecnologias móveis estão disponíveis a um número amplo de pessoas. Carneiro & Turchielo (2013), reforçam que estes aparatos, não apenas auxiliam na aprendizagem mas ajudam a concretizar o conceito de EAD, isso não anula a condição de que as questões da acessibilidade ainda precisam ser trabalhadas.  

Barbosa (2005) defende que ao falar em educação na sociedade em rede, observa-se  que  é  preciso  desenvolver  uma  cultura  da  aprendizagem  e, por outro lado, o Professor Manuel Moran (1999), complementa que o aprender a  aprender, aprender  a  ser,  aprender  a  conviver, com base nos pilares da UNESCO de Jacques Delors para a educação (1998), cria no sujeito a atividade de autoria, criatividade, desenvolvimento  e autonomia do senso crítico o que desenvolverá  no indivíduo, competências informacionais e educativas simultaneamente.

É possível assistir a vídeos, filmes, fazer enquetes, fazer avaliações, debates, interagir com pessoas de todo o mundo em tempo real, dá para assistir a uma palestra sem sair de casa, e ir à escola  para aprender, deixou de ser tarefa imprescindível. 

Há que se lembrar que a democratização da educação através das tecnologias emergentes  no ensino não é a panaceia dos problemas educacionais no Brasil, pois, para que o estudante tenha acesso a todas essas possibilidades aqui descritas, ele precisa ter acesso ao dispositivo, e na sequência à rede de internet, o que ainda é um problema a ser resolvido de forma estrutural, porém a tendência é que à medida que a pedagogia se adapta e se reinventa para ajudar as pessoas a tirarem o melhor proveito das tecnologias, o número de estudantes conectados ultrapasse barreiras sociais e econômicas parar trazer novos adeptos à estas tecnologias. 

Referências

Barbosa,  R. M. 2005. Ambientes  virtuais  de  aprendizagem, Porto Alegre, Artmed.

Carneiro, M.L.F. Turchielo, L. B. 2013. Educação a distância  e  tutoria: considerações pedagógicas e práticas, Porto Alegre, Evangraf.

Delors, J. 1998. Educação: um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. Brasília, Cortez. [Online]. Disponível: http://dhnet.org.br/dados/relatorios/a_pdf/r_unesco_educ_tesouro_descobrir.pdf. [Acesso 19 junho 2022].

Moran, J. M. 1998. Mudanças na comunicação pessoal. São Paulo, Paulinas. 

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Filosofias de Botequim: da escrita para a vida

Quem disse que eu queria um livro? 

Esta, é uma coletânea de pensamentos, sensações, recortes e fragmentos de um diário que coloquei em prosa, poesia, poemas e crônicas. 

Momentos de confabulações que eu vivi, ou ainda que escrevi na hora do devaneio, da viagem de ônibus, de trem e avião, que talvez possam ajudar outras pessoas a tomarem decisões mais acertadas em situações semelhantes, pois pelo menos comigo, metade das vezes deu certo. 
Não podemos acertar todas, senão a vida fica sem emoção e sem aventuras. 
Vivi o mundo, porque acredito que ele deve ser voado, explorado, vivido e aproveitado em sua totalidade. 
São monólogos, recheados de sentimentos, enigmas, nostalgias, filosofias próprias de quem não leva a vida tão a sério, por acreditar que ela é um jogo, e se encararmos com tanta seriedade, ninguém vence no final. 
Hoje com quase quarenta anos, certamente eu faria tudo de novo. 
Talvez, tivessem alguns incrementos, e um pouco mais de maturidade, mas falaria muita coisa de que falou neste livro, e faria bastante também. 
Sou grato por jogar essas memórias no papel, escolhi algumas para publicar e as que sobraram, fica para outro momento.

Sobre o Autor

Sátiro Souza, é “baianista”, uma mistura de baiano com paulista, atualmente vivendo no Goiás. 

Um cidadão do mundo, que quando criança leu um livro chamado “O mundo é para ser voado” e levou tão a sério, que sempre que pode viajar, sai para conhecer o pedacinho do mundo que ainda falta sem o compromisso de tornar poesia e sem a neura de fazer selfies desordenadas, por acreditar que a mais importante fotografia fica gravada na memória e não precisa se preocupar com espaço para armazenamento, porque a seu tempo estas imagens vão se reformando até se transformarem em fotos inéditas, fantasiosas, únicas e cheias de significantes e significados novos, assim como aconteceu com estas memórias, embora acontecidas, amenizadas pela distração que o tempo cuidou gentilmente de afastar do epicentro do mundo. 

Nunca saiu das terras brasileiras, por acreditar que não existe lugar mais lindo que o Brasil e que ainda tem assunto demais por aqui, para ir futricar algo fora do território brasileiro. 

Entres outras coisas, é diplomado em Pedagogia e Filosofia, mas não se intitula “Filósofo”, por achar que é muita pretensão, usar um título que já pertenceu a Heráclito de Éfeso. 

Solteiro desde sempre, virginiano que não acredita tanto na influência do posicionamento do sol e da lua no exato momento de sua concepção ou de sua chegada ao mundo, numa manhã de uma sexta-feira. 

Um exímio amante da educação, que faz jus ao nome, por gostar de satirizar as situações cotidianas, por acreditar que a vida já é muito complicada para tratá-la como algo tão sério. 

É um mutante que gosta e desgosta de algo com facilidade, que está sempre em construção, que se permite conhecer novos amanhãs, novos sabores, novas pessoas e novas sensações, todos os dias.