| Crédito da Imagem: Canva |
O
uso destas tecnologias em sala de aula e as suas possibilidades têm sido cada
vez mais surpreendentes e o exemplo disso é ver que algumas escolas no Brasil e
no mundo já abandonaram os cadernos para a aderirem aos tablets e smartphones!
Não há como impedir que os avanços tecnológicos
desta natureza aconteçam, pois da mesma forma que ferramentas de compartilhamento
como OneDrive, Google Drive, Megadrive, Dropbox, etc. também estão aí para
garantir que todos tenham acesso simultâneo às mesmas informações, as salas de
aula têm se invertido e o espaço do aluno tem ganhado cada vez mais a sala de
aula, o que resulta em aprendizado ágil, rápido e eficiente. Parece que o
encurtamento do tempo é a palavra de ordem quando se contrapõe a tecnologia.
A
escola está se transformando
| Agência Brasil. Alunos de escola no interior do Amazonas têm sala com acesso à internet (Foto: Divulgação / Amazonas Atual Jornal) |
As
ferramentas utilizadas em sala de aula possibilitaram inúmeras formas de
aprendizado, seja em tempo real com pesquisas super atualizadas através de bibliotecas
virtuais pelos aplicativos específicos ou até mesmo de acervos disponibilizados
pela própria instituição, seja na modalidade síncrona de comunicação com o uso
de bate-papos, chat pelos aplicativos para celulares ou assíncrona em formato
de fóruns de discussão, blogs, e-mails etc.
O padrão de sala de aula que conhecemos no passado deu espaço a uma nova forma de aprender e de ensinar, o ensino colaborativo no qual são valorizados o espaço e a criatividade do estudante está tomando conta do universo do aprender a aprender, pois o que antes demandava um grande tempo de deslocamento seja para a sala de aula ou à biblioteca para a pesquisa em livros e enciclopédias, que muitas vezes já estavam obsoletos em suas informações por conta da conhecida logística de produção de um livro impresso, já não é mais um empecilho para aprender, pois a supervelocidade que a internet proporciona resolveu esse “problema”, e os softwares de leitura e escrita simultânea, como audiobook ou WriteMonkey, por exemplo vieram trazer benefícios inclusive para estudantes com algum tipo de deficiência ou incapacidade.
Um
pouco de História
No
ano de 2008 quando ainda cursava a graduação, recordo-me que sem saber
praticamos algo inusitado para o auxílio no nosso aprendizado. Era algo que nem
imaginávamos que anos depois poderia ser chamado de “novas tecnologias de
aprendizagem”: usávamos um método pouco usual para a época, e consistia em pedir
autorização para o professor, para nos deixar gravar os áudios de sua aula, de
modo que facilitasse o nosso estudo e revisão em outro momento. Era incrível como
estes áudios mesmo com péssima qualidade por causa das características acústicas
da sala de aula e da tecnologia precária utilizada trazia tantos resultados de
aprendizagem. Este artifício perdurou por toda a minha graduação.
Estas
gravações eram armazenadas em nuvem quase instantaneamente e toda a turma tinha
acesso através de um login e senha compartilhados através dos grupos de
discussão de e-mails que eram utilizados à época, pois ainda não tínhamos
acesso a ferramentas como Telegram ou WhatsApp.
Acesso
amplo e irrestrito às tecnologias educacionais emergentes
A
exemplo do case contado acima, hoje já vemos outras tantas possibilidades de
uso de ferramentas educacionais, pois os alunos não mais copiam da lousa, ou
fazem anotações em cadernos. Alunos já não usam caderno em sala de aula, pois preferem
fazer uma foto ou vídeo do conteúdo que é ministrado para revisarem em momento
oportuno. É possível fazer “audioanotações” do conteúdo da aula, para ouvir
depois, além das transmissões síncronas e assíncronas de todos os conteúdos, o
que tem se tornado cada vez mais comum.
O
professor não precisa mais estar do lado do aluno, para ajudá-lo a aprender,
basta dar o direcionamento, pois migrar especificamente do ensino para a aprendizagem
requer grande esforço por parte de todos.
Estudar
no conforto de casa, do trabalho, no transporte público, no escritório enquanto
atende clientes, possibilita ao estudante o acesso à educação de maneira
irrestrita e o professor como agente deste novo tempo, precisa se adaptar para
que este aprendizado aconteça de forma completa e irrestrita, pois as
tecnologias móveis estão disponíveis a um número amplo de pessoas. Carneiro
& Turchielo (2013), reforçam que estes aparatos, não apenas auxiliam na
aprendizagem mas ajudam a concretizar o conceito de EAD, isso não anula a
condição de que as questões da acessibilidade ainda precisam ser trabalhadas.
Barbosa
(2005) defende que ao falar em educação na sociedade em rede, observa-se que
é preciso desenvolver
uma cultura da
aprendizagem e, por outro lado, o
Professor Manuel Moran (1999), complementa que o aprender a aprender, aprender a
ser, aprender a
conviver, com base nos pilares da UNESCO de Jacques Delors para a
educação (1998), cria no sujeito a atividade de autoria, criatividade, desenvolvimento
e autonomia do senso crítico o que desenvolverá no indivíduo, competências informacionais e
educativas simultaneamente.
É
possível assistir a vídeos, filmes, fazer enquetes, fazer avaliações, debates,
interagir com pessoas de todo o mundo em tempo real, dá para assistir a uma palestra
sem sair de casa, e ir à escola para aprender,
deixou de ser tarefa imprescindível.
Há que se lembrar que a democratização da educação através das tecnologias emergentes no ensino não é a panaceia dos problemas educacionais no Brasil, pois, para que o estudante tenha acesso a todas essas possibilidades aqui descritas, ele precisa ter acesso ao dispositivo, e na sequência à rede de internet, o que ainda é um problema a ser resolvido de forma estrutural, porém a tendência é que à medida que a pedagogia se adapta e se reinventa para ajudar as pessoas a tirarem o melhor proveito das tecnologias, o número de estudantes conectados ultrapasse barreiras sociais e econômicas parar trazer novos adeptos à estas tecnologias.
Referências
Barbosa, R. M. 2005. Ambientes virtuais
de aprendizagem, Porto Alegre, Artmed.
Carneiro, M.L.F. Turchielo, L. B.
2013. Educação a distância e tutoria: considerações pedagógicas e práticas,
Porto Alegre, Evangraf.
Delors, J. 1998. Educação: um
tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre
Educação para o século XXI. Brasília, Cortez. [Online]. Disponível: http://dhnet.org.br/dados/relatorios/a_pdf/r_unesco_educ_tesouro_descobrir.pdf.
[Acesso 19 junho 2022].
Moran, J. M. 1998. Mudanças na
comunicação pessoal. São Paulo, Paulinas.